sempre tive que pular janelas. e nas madrugadas lacrimejantes, alguma coisa me carregava pro mundo. era a solidão escapulindo de dentro do quarto? era a incerteza apagando a luz? eu não sei. sei que o instante me dizia ao pé do ouvido: vai. e eu ia, como pássaro de voo quebrado, como recém nascido aprendendo a andar, como uma andorinha buscando seu norte.
nunca tive dinheiro, nunca tive sapatos caros nem uma moto pra me salvar das ruas escuras. o que carrego é um batom borrado, um livro de páginas amarelas e esse estar sozinho no mundo que ora me é indiferente ora me arranca o coração.
agora é tempo demais. é choro baixinho no canto, são as lembranças da ausência, é o despertador se recusando a tocar. porque dormir sempre acalmou a vida, sempre afogou a própria inundação. digo que você pode ficar com tudo, menos com meu choro e meu sorriso. o choro porque é dos bares, o sorriso porque é do amanhã.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
segunda-feira, 7 de abril de 2014
meu amor,
estou triste. parece que não há trajeto nem volta. por que a vida faz isso com a gente? estagna no meio da estrada. faz tu pegar chuva, sol, fumar um cigarro atrás do outro pra depois perceber que o tempo está passando e essa perdição nunca acaba. por isso digo sempre: vou parar de fumar. mas nunca paro. você sabe que o cigarro fica do meu lado quando preciso.
é mentira. pois eu precisava é de um abraço longo e demorado. de um passeio num jardim pra que eu pudesse sentir o cheiro das flores, do teu corpo e do mundo. não esse que me pisa agora, me deixa sem dinheiro, brigada com a família e com os amigos, me faz ter medo de dormir à noite porque amanhã, amanhã ainda não é outro dia. mas o mundo que um dia escrevi, que guardei no bolso pra pegar de vez em quando. mas sempre foi um segredo, senão roubavam de mim.
queria saber por onde anda você. pegou um barco e foi se jogar na tempestade? esqueceu que a turbulência passa e depois vem o enjoo? a náusea é pior que o medo, é a sensação do descontrole controlado. se eu pudesse me jogava no abismo pra poder cair desesperadamente, de olhos abertos encarando o labirinto que é a queda.
chorei muito. essa coisa de andar sem rumo pela vida é coisa da juventude desse século. sem emprego, sem faculdade, drogada e sem esperança. me sinto assim, uma personagem de um conto moderno, mas sem criador, apenas colocando o pé pra fora do livro. o que vou fazer daqui a um ano, daqui a dez? não sei nem o que fazer agora...
estou há dias sem dormir, tenho medo do meu organismo me fazer desmaiar. queria deitar com tuas mãos nos meus cabelos e tua pele com cheiro de jasmim. mas só a ansiedade e o cansaço me acompanham. a insônia é um demônio que ainda não consegui matar.
tal como o amor, mas esse foi embora pra longe.
é mentira. pois eu precisava é de um abraço longo e demorado. de um passeio num jardim pra que eu pudesse sentir o cheiro das flores, do teu corpo e do mundo. não esse que me pisa agora, me deixa sem dinheiro, brigada com a família e com os amigos, me faz ter medo de dormir à noite porque amanhã, amanhã ainda não é outro dia. mas o mundo que um dia escrevi, que guardei no bolso pra pegar de vez em quando. mas sempre foi um segredo, senão roubavam de mim.
queria saber por onde anda você. pegou um barco e foi se jogar na tempestade? esqueceu que a turbulência passa e depois vem o enjoo? a náusea é pior que o medo, é a sensação do descontrole controlado. se eu pudesse me jogava no abismo pra poder cair desesperadamente, de olhos abertos encarando o labirinto que é a queda.
chorei muito. essa coisa de andar sem rumo pela vida é coisa da juventude desse século. sem emprego, sem faculdade, drogada e sem esperança. me sinto assim, uma personagem de um conto moderno, mas sem criador, apenas colocando o pé pra fora do livro. o que vou fazer daqui a um ano, daqui a dez? não sei nem o que fazer agora...
estou há dias sem dormir, tenho medo do meu organismo me fazer desmaiar. queria deitar com tuas mãos nos meus cabelos e tua pele com cheiro de jasmim. mas só a ansiedade e o cansaço me acompanham. a insônia é um demônio que ainda não consegui matar.
tal como o amor, mas esse foi embora pra longe.
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