segunda-feira, 7 de abril de 2014

meu amor,

estou triste. parece que não há trajeto nem volta. por que a vida faz isso com a gente? estagna no meio da estrada. faz tu pegar chuva, sol, fumar um cigarro atrás do outro pra depois perceber que o tempo está passando e essa perdição nunca acaba. por isso digo sempre: vou parar de fumar. mas nunca paro. você sabe que o cigarro fica do meu lado quando preciso.
é mentira. pois eu precisava é de um abraço longo e demorado. de um passeio num jardim pra que eu pudesse sentir o cheiro das flores, do teu corpo e do mundo. não esse que me pisa agora, me deixa sem dinheiro, brigada com a família e com os amigos, me faz ter medo de dormir à noite porque amanhã, amanhã ainda não é outro dia. mas o mundo que um dia escrevi, que guardei no bolso pra pegar de vez em quando. mas sempre foi um segredo, senão roubavam de mim.
queria saber por onde anda você. pegou um barco e foi se jogar na tempestade? esqueceu que a turbulência passa e depois vem o enjoo? a náusea é pior que o medo, é a sensação do descontrole controlado. se eu pudesse me jogava no abismo pra poder cair desesperadamente, de olhos abertos encarando o labirinto que é a queda.
chorei muito. essa coisa de andar sem rumo pela vida é coisa da juventude desse século. sem emprego, sem faculdade, drogada e sem esperança. me sinto assim, uma personagem de um conto moderno, mas sem criador, apenas colocando o pé pra fora do livro. o que vou fazer daqui a um ano, daqui a dez? não sei nem o que fazer agora...
estou há dias sem dormir, tenho medo do meu organismo me fazer desmaiar. queria deitar com tuas mãos nos meus cabelos e tua pele com cheiro de jasmim. mas só a ansiedade e o cansaço me acompanham. a insônia é um demônio que ainda não consegui matar.
tal como o amor, mas esse foi embora pra longe.


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