sempre tive que pular janelas. e nas madrugadas lacrimejantes, alguma coisa me carregava pro mundo. era a solidão escapulindo de dentro do quarto? era a incerteza apagando a luz? eu não sei. sei que o instante me dizia ao pé do ouvido: vai. e eu ia, como pássaro de voo quebrado, como recém nascido aprendendo a andar, como uma andorinha buscando seu norte.
nunca tive dinheiro, nunca tive sapatos caros nem uma moto pra me salvar das ruas escuras. o que carrego é um batom borrado, um livro de páginas amarelas e esse estar sozinho no mundo que ora me é indiferente ora me arranca o coração.
agora é tempo demais. é choro baixinho no canto, são as lembranças da ausência, é o despertador se recusando a tocar. porque dormir sempre acalmou a vida, sempre afogou a própria inundação. digo que você pode ficar com tudo, menos com meu choro e meu sorriso. o choro porque é dos bares, o sorriso porque é do amanhã.
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